
Um encontro. Dois jovens. Um quarto, num canto qualquer da cidade. Dentro do quarto rola o sexo. Rola o sexo por um mero instinto, impulso... Deselegante. Vulgar. Sem sal. Sem brilho. Sem poesia. Sem música. Sem ternura. Sem cumplicidade.
Vazio.
Dois estranhos enrolados num divã empoeirado num canto qualquer da cidade.
A noite termina quando termina o sexo. Entra a madrugada e o dia efectivamente morre.
Nasce, entretanto, um novo dia mas com aspecto moribundo.
A jovem mulher procura uma farmácia e compra uma pílula do dia seguinte - just in case - é da sina. Engole-a com um pouco de água e vai a sua vida, esperando silenciosamente que esse dia, já moribundo, morra.
O jovem homem vai a sua vida.
Os dois jovens, esses, se cruzarão certamente pelas ruas e esquinas da cidade mas provavelmente não mais se lembrarão um do outro. Afinal, dois estranhos...